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Pastor aconselha pais a espancarem os filhos

Como se não bastasse os pais maltratarem os seus filhos, por vontade e crenças pessoais, agora temos um pastor evangelista a apregoar que bater é educar!

Michael Pearl, de 66 anos, é pastor evangelista há mais de 40 e juntamente com a sua mulher – Debi Pearl – publicou, em 1994, o livro “To train up a child”, com mais de 670 mil cópias vendidas e que está na base de fortes polémicas, incluindo a morte de pelo menos três crianças, pelas mãos das suas mães que, incompreensivelmente (ou não?) seguiram os conselhos deste senhor. O resumo deste livro dita o seguinte (tradução pessoal):

“ Para pais de sucesso, aprenderem como treinarem os seus filhos em vez de os disciplinarem. Com humor e exemplos reais, este livro mostra-vos como treinar os seus filhos antes de ser necessária a disciplina. Faça-o com disciplina corretiva, faça-os seus aliados em vez de adversários. O stress irá desaparecer e os seus filhos obedientes irão louvá-lo”

A base teórica deste livro, segundo o autor, advém da Bíblia que, segundo ele, aconselha o uso de chicotes.

Entre as crianças cuja morte se relaciona com este livro estão Sean Paddock (4 anos), Hana Grace-Rose Williams (13 anos) e Lydia Schatz (8 anos)

Sean era brutalmente espancado por um tubo de plástico. A sua causa de morte foi ter sufocado. E como? Estava embrulhado em mantas que estavam imensamente apertadas no seu corpo, ao ponto de ter deixado de conseguir respirar. (mais informações aqui)

Hana, foi encontrada morta no quintal da sua casa, totalmente despida. A causa de morte foi hipotermia e desnutrição; uma vez que os pais a privaram de alimento durante dias e a dormir em armários no exterior da casa. Apresentava ainda sinais de espancamento de um tubo de plástico de 38 cm. (mais informações aqui)

Lydia, que era frequentemente espancada com o maldito tubo, parando apenas esta tortura para rezar, teve como causa de morte o espancamento! Tais castigos eram também aplicados ao seu irmão Zariah (11 anos) que, felizmente, não sofreu semelhante fatalidade que Lydia, apesar do comum sofrimento físico e emocional de que foram vítimas (mais informações aqui).

O advogado do caso encarregue do caso de Lydia carateriza o livro como sendo “extraordinariamente perigoso para quem o siga literalmente” (fonte: Wikipedia). Em resposta à acusação da relação das mortes das crianças com o seu livro, o pastor responde em tom jocoso, afirmando:

“It has come to may attention that a vocal few are decrying our sensible application of the Biblical rod in training up our children. I laugh at my caustic critics, for our properly spanked and trained children grow to maturity in great peace and love. Numbered in the millions, these kids become the models of self-control and discipline, highly educated and creative—entrepreneurs that pay the taxes your children will receive in entitlements. When your children finally find an honest mechanic or a trustworthy homebuilder, it will be one of ours.

When your children apply for a job it will be at a company our children founded. When they go to a doctor, it will be one of our Christian children that heals them with cutting edge innovation. When your adult kids go for therapy it will be one of our kids-become-psychologist that directs them to the couch and challenges them to release their self-loathing and embrace hope for a better tomorrow. When your children grow old and realize their mortality and seek to make peace with their Creator, it will be one of our children that shares with them the message of God’s love and forgiveness.

My five grown children are laughing at your foolish, uninformed criticism of God’s method of child training, for their kids—my 17 grandkids—are laughing . . . because that is what they do most of the time. They laugh when Daddy is coming home. The laugh when it is time to do more homeschooling. They laugh when it is time to practice the violin and piano. They laugh when they see their Big Papa coming (that’s me) because Big Papa is laughing and they don’t care why just as long as he laughs with them.

My granddaughters laugh with joy after giving their baby dolls a spanking for “being naughty” because they know their dolls will grow up to be the best mamas and daddies in the world—just like them.

People all around the world, in places like Russia, China, Germany, New Zealand, Guatemala, Peru, Africa, and fifty other countries are laughing with joy because after applying the Biblical principles found in our books they finally have happy and obedient children.

Even my chickens are laughing . . . well, actually it more like cackling, because they just laid another organic egg for my breakfast and they know that it was that same piece of ¼ inch plastic supply line that trained the dogs not to eat chicken…. (fonte)

Pearl tem vários artigos publicados no seu blog, sendo um  particularmente chocante, pois orienta os pais a espancar corretamente (como é que tal termo pode sequer existir?) crianças pequenas, bebés!! O artigo é “Too young to Spank?”.

 Além de me perturbar o fato de haver pessoas adultas a comprar este livro e, mais grave, a seguir as suas orientações; perturba-me particularmente que haja possibilidade de publicar este tipo de livros. Mais ainda a impunidade que este homem tem! Longe de mim querer incitar ou defender o uso da força mas, ao ler estes artigos e as consequências que estas práticas provocam nas crianças, incluindo MORTE, dou por mim a pensar “será que ninguém o espanca corretamente?”. Convenhamos que é um pensamento legítimo…

Fontes jornalísticas: Jornal de Notícias , TVI24 horas , The New York Times

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Mãe castiga filho com picante e duches frios

Foi esta semana noticiado mais um caso de maus tratos contra uma criança, em forma de “castigos corporais”, desta feita nos Estados Unidos da América.

Este caso tem contudo contornos quase macabros. Não só pelos castigos aplicados por esta mãe ao seu filho de seis anos de idade mas também pela forma como estes foram conhecidos: foi a própria mãe, a senhora Jessica Beagley que enviou para o famoso programa televisivo “Dr. Phil”, um vídeo caseiro, demonstrando como castiga o seu filho. Esses castigos ocorriam quando a mãe tinha conhecimento que a criança tinha algum problema escolar. Assim, para saber o que tinha acontecido, a mulher coloca molho picante na língua do menino até ele contar o que se passou, seguindo de duches de água fria. Apenas após a criança confessar o que havia feito o “castigo” terminava.

Após o visionamento do vídeo, espetadores de todo o mundo contataram a produção do programa exigindo justiça para a criança. Assim, a mulher – que adotou a criança e sua irmã gémea há dois anos – enfrenta agora uma pena de prisão de 1 ano e pagamento de multa no valor aproximado de 10 mil euros. O advogado da família garante que o consulado russo tem efetuado visitas domiciliárias periódicas e estão “satisfeitos” com as alterações do ambiente familiar. Inclusive a família tem acompanhamento de um terapeuta do próprio programa televisivo.

Na notícia divulgada no jornal Expresso, a psicóloga clínica Catarina Moisão afirma que “este tipo de castigo não é aceitável” e que estamos ” perante uma mãe abusadora, controladora, que reprime a criança a um nível extremo, levando a que no futuro ela viva sob medo intenso”.

Subscrevo incondicionalmente as palavras da Dr.ª Catarina Moisão e o fato de defender que o acolhimento institucional, neste caso poderia ser a melhor solução pois, segundo afirma “esta mãe está convencida de que aquilo que faz é o correto. Para ter este orgulho em filmar os castigos, certamente terá feito o mesmo à filha que grava as imagens.”

Dificilmente os comportamentos são alterados por vontades e crenças externas ao próprio; dificilmente as práticas educativas desta mulher serão alteradas apenas porque tal lhe é imposto. Como refere e muito bem a Dr.ª Catarina Moisão: “aliás, é impressionante ver que a criança que filma nem sequer treme a câmara, o que significa que está muito habituada a este género de imagens, que certamente terão acontecido na sua própria infância”, ou seja, os maus tratos mostrados no vídeo poderão não ser um ato isolado ou uma prática dirigida apenas a esta criança, mas sim o perfil educativo desta família.

Acrescento que a par dos maus tratos físicos que esta mulher inflige a esta criança são acompanhados de maus tratos psicológicos severos: não só pelo medo aterrador que a criança demonstra a esta mulher, mas também por ter sido publicamente humilhada pela mesma, ao ver as suas punições serem exibidas mundialmente!

Link para o artigo e vídeo

 

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