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Tráfico Infantil na China

05 Ago

Há uns dias atrás foi noticiado o desmantelamento de uma das maiores redes de tráfico infantil da China, onde foram detidas 369 pessoas e resgatadas 89 crianças, a maioria do sexo feminino com idades compreendidas entre os 10 dias de vida e os 7 meses.

A operação policial iniciou em Fevereiro deste ano e foi no dia 20 de Julho que, com recurso a mais de 2.600 agentes, conseguiu finalmente desmantelar esta organização, detendo sequestradores e responsáveis pelo transporte das crianças, bem como o cabecilha da rede, Li Haijun.

O sequestro e venda de crianças, segundo noticiado por várias fontes, é prática comum entre as máfias chinesas que recolhem as crianças sequestradas ou compradas no sul da China, levando-as para norte por transportes (barcos e autocarros) onde vendem as crianças por cerca de 4.300 euros. O destino de muitas destas crianças é o trabalho infantil (escravidão), enquanto outras são compradas para serem “adotadas”.

As crianças agora resgatadas ficam sob custódia do Ministério dos Assuntos Civis, em orfanatos, até os resultados de ADN identificarem os seus pais. Em caso de não haver identificação ou não os encontrarem, as crianças serão entregues para adoção.

O que mais me impressionou nesta notícia foi o facto de, enquanto muitas das crianças foram sequestradas, as outras foram vendidas pelos próprios pais. E tal venda acontece por questões culturais, na medida em que a China é um país bastante conservador e a descendência masculina – para poder assegurar o futuro económico do país – é a pretendida pelos pais. Como vigora, desde há 30 anos, a política do “filho único”, que limita a descendência para casais de zonas urbanas a uma criança e para casais de zonas rurais dois filhos, no caso de o primeiro ter sido do sexo feminino; a venda das meninas, em particular nas zonas rurais, é uma prática muito frequente. Como “alternativa” à venda, muitos casais matam as próprias filhas ou entregam-nas a orfanatos. Inimaginável, desumana e horrenda esta realidade!

Quanto à penalização legal, não está ainda definido em que circunstâncias os compradores das crianças devem ser punidos. Liu Ancheng, ministro do Public Security Criminal Investigation Bureau afirmou ao jornal People’s Daily que, se os compradores não abusaram das crianças, não podem ser criminalmente responsabilizados.

Uma última nota respeitante a esta notícia é o fato de o Ministério da Segurança Pública ter anunciado que a lei vai ser alterada para que as crianças, ao serem resgatadas, permaneçam em casa do sequestrador até localização dos pais ou posterior adoção. Infelizmente a minha pesquisa foi infrutífera para melhor compreensão desta decisão governamental. A conclusão imediata que me assaltou a mente foi o não haver vagas nos orfanatos para acolher estas crianças. O tempo de permanência das crianças com os sequestradores, pelo que me apercebi, é pouco e de má qualidade, não havendo lugar a relações vinculativas; portanto esse não deve ser um fator de peso nesta decisão, mas sim a falta de vagas institucionais. Infortúnio das crianças que vêm o seu destino traçado à nascença, dependendo do seu género!

Algumas fontes da notícia:

Euronews

CBS News

Globo

 
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Publicado por em 5 de Agosto de 2011 em Notícias

 

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