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Negligência causa mau desenvolvimento no cérebro

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Uma equipa de investigadores do Hospital Infantil de Boston (EUA) analisou ressonâncias magnéticas de crianças institucionalizadas e concluiu que a negligência física e psicológica provoca nas crianças grandes alterações no seu cérebro, nomeadamente uma diminuição da massa cinzenta e massa branca.

Um dado positivo desta investigação é o fato de que intervenções positivas com estas crianças podem reverter estas consequências da negligência.

Mas não apenas a negligência tem um impacto negativo no cérebro de crianças, também outros abusos e adversidades como maus tratos, abandono, violência ou pobreza extrema acarretam consequências negativas no desenvolvimento da criança..

Estudos anteriores destes investigadores concluíram que crianças que vivem em acolhimento institucional com défices sociais, de linguagem e de funcionamento cognitivo funcional têm um maior índice de transtornos de défice de atenção, dificuldades de funcionamento social e envelhecimento celular precoce.

Para um melhor esclarecimento sobre os sub-tipos de negligência, recordamos o artigo escrito neste blog, intitulado Negligência - definições“, disponível aqui.

Fonte: Jornal Ciência Hoje

 
 

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Obesidade infantil: negligência parental?

Segundo dados da International Obesity Task Force, em 2010 existiam 475 milhões de adultos obesos. Destes, mais de 200 milhões são crianças em idade escolar com excesso de peso, sendo que 100 milhões são considerados obesos. Na união europeia, 20% das crianças em idade escolar têm excesso de peso ou estão num escalão considerado de obesidade (ver diferença e cálculo nesta página).

A Organização Mundial de Saúde tem várias publicações sobre obesidade infantil, das quais destaco este mapa, onde acedemos a informação detalhada da sua prevalência, a nível mundial. Podemos constatar que, no ano de 2008, em Portugal, 21,6% e 23,5% de raparigas e rapazes respetivamente, tinham excesso de peso ou obesidade. Estamos a falar de cerca de metade da população infanto-juvenil.

A questão que se coloca neste artigo é: deve a obesidade infantil ser considerada negligência parental?

Jan Horwath* considera a obesidade como uma forma de negligência parental: os pais incorrem em Negligência Nutricional que, segundo a autora acontece quando não é providenciado à criança as calorias adequadas para o seu normal desenvolvimento. Como refere Horwath, a negligência nutricional está normalmente associada à ingestão insuficiente de calorias; contudo o inverso – ingestão excessiva – deve igualmente ser considerada negligência nutricional. Os pais têm um papel fundamental na prevenção da obesidade infantil, nomeadamente na promoção de uma dieta saudável, quer em termos de qualidade como de quantidade; e atividade física para as crianças (ou, idealmente, com as crianças). Caso não promovam hábitos saudáveis de vida: neste caso em concreto, dieta alimentar e exercício físico; estão a ser negligentes.

Não me é difícil enumerar alguns casos deste tipo de negligência. Talvez para si, car@ leit@r, também não o seja. Quantas e quantas crianças são alimentadas à base do fast food, com pequenos-almoços e lanches hipercalóricos, sem a ingestão diária de vitaminas, proteínas e outros componentes necessários para o seu saudável desenvolvimento; acrescendo a reduzida ingestão de legumes, frutas, laticínios, etc. e um estilo de vida excessivamente passivo? Talvez demasiadas.

Perante esta definição, concordo com Jan Horwath quando afirma que a obesidade, em muitos casos, é resultado de negligência parental. Não nos esqueçamos das consequências que o excesso de peso ou a obesidade acarretam a curto e longo prazo: riscos acrescidos de, na sua adultez a criança vir a desenvolver doenças cardiovasculares ou diabetes tipo 2, desordens musculoesqueléticas, e certos tipos de cancro (fonte);e, a curto prazo, baixa auto estima, isolamento social e maior probabilidade de serem vítimas de Bullying.

Obviamente que existem muitos casos de obesidade infantil que não se incluem no que acabei de expor contudo, existem milhares deles que se incluem.

Para terminar, e por forma a promover a reflexão sobre o assunto deixo-vos algumas notícias publicadas pelos media sobre a polémica questão: Devem as crianças com obesidade mórbida ser retiradas aos seus pais?

Não esqueçamos que a retirada de uma criança do seu lar nunca é feita como penalização ou condenação dos pais, mas sim como medida de proteção da criança (é executada ao abrigo da Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo). Assim, o objetivo desta retirada é a aquisição, pela criança, de bons hábitos alimentares; e não a penalização dos pais. Eu tenho a minha opinião formada, partilhe aqui a sua!

Jornal de Notícias, Novembro de 2009

Diário de Notícias, Outubro de 2009

Hoje em Dia, notícia brasileira, Julho de 2011

Vila Filhos, site brasileiro, Julho de 2011

* Professora de Child Welfare, na Universidade de Sheffield, autora de diversas publicações na área da proteção à infância, entre elas o livro Child Neglect – Identification & Assessment, 2007

 

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Negligência – definições

A Negligência é a tipologia de maus tratos mais reportada aos serviços de proteção à infância, em todo o mundo.

Em Portugal foram instaurados, no ano passado, 22.584 processos com sinalização de “negligência”, representando um total de 38,2% das sinalizações (dados do Relatório de Actividades das CPCJ de 2010, disponível em artigo, aqui no blog).

Antes de apresentar algumas definições, importa mencionar que alguns autores diferenciam maus tratos de negligência, enquanto outros definem negligência como sendo uma tipologia de maus tratos. Eu adotei a última perspetiva (a negligência é um tipo de maus tratos) porque, além de ser a perspetiva adotada por entidades mundialmente reconhecidas (Organização Mundial de Saúde, por exemplo), na negligência – tal como em qualquer outra tipologia – a criança é vítima de más práticas parentais, a criança é vítima de maus tratos.

Do que falamos quando nos referimos à Negligência?

A principal caraterística deste tipo de mau trato é o fato de ser uma omissão de cuidados: não são asseguradas as necessidades básicas da criança, o que acarreta um impacto nefasto no seu desenvolvimento, em todas as suas áreas.

A Organização Mundial de Saúde definiu, em 2007, a negligência como sendo um fracasso por parte do progenitor ou outro membro da família para ir ao encontro das necessidades físicas e/ou psicológicas da criança, através de cuidados inadequados ou fracasso em proteger a criança da exposição ao perigo, quer durante incidentes isolados, quer como um padrão de fracassos ao longo do tempo.

Apesar de ser uma definição bastante concreta, não concordo quando é afirmado que a negligência é um fracasso em proteger a criança (…) durante incidentes isolados. A meu ver essas ocorrências devem ser encaradas como atos negligentes e não como uma prática parental negligente. Exemplificando: todos os anos são dados a conhecer números de crianças que morrem afogadas nas piscinas de sua casa. Tais acontecimentos devem-se, frequentemente, pelo fato de, em determinado momento, não estar ninguém a supervisionar a criança. Podermos afirmar que esse fato, por si só, categoriza aquela família como negligente? Ou, ao invés, que aquela família cometeu um ato negligente? Creio ser uma distinção com enorme relevância. Já Paulo Delgado (2006) afirma que a omissão de cuidados básicos – para ser considerada negligência – é um comportamento regular de descuido.

Alguns autores distinguem dois tipos de negligência:                                                                     Negligência Ativa, que ocorre quando os cuidadores têm consciência que estão a ser maltratantes e, mesmo assim, não alteram o seu comportamento; ou, em menor ocorrência, quando os cuidadores são negligentes por terem intenção de causarem sofrimento à criança/jovem;

Negligência Passiva: forma mais comum da negligência, acontece como consequência de incapacidades e/ou incompetências dos cuidadores na prestação de cuidados.

A negligência é um fenómeno bastante complexo e que toma várias formas. Assim, várias categorias de negligência são apontadas na literatura:

Negligência física: respeita a higiene (incluindo higiene pessoal e habitacional) e os cuidados de saúde, incluindo a dieta alimentar. Aqui, importa considerar não só a subnutrição, mas também a obesidade infantil.

Negligência emocional: considerada a categoria de negligência mais difícil de avaliar, envolve as necessidades emocionais da criança e a incapacidade dos cuidadores em lhe providenciar cuidados psicológicos. A negligência emocional é a categoria de negligência que acarreta consequências mais severas e prolongadas no tempo.

Supervisão desadequada: refere-se aos cuidadores permitirem a criança permanecer sozinha ou com supervisão desadequada (outras crianças, cuidadores com comportamentos aditivos ou reconhecidos abusadores).

Negligência educacional: os cuidadores consentirem absentismo e/ou abandono escolar do menor ou não prestar devida atenção às suas necessidades educativas especiais.

 Negligência médica: inclui o atraso ou negação do cuidador na prestação de cuidados médicos.

Negligência intrauterina: negligência ocorrida durante o período de gravidez. Paulo Delgado (2006) define-a como sendo as características e modos de vida da mulher grávida, intencionais ou involuntários que, sendo evitáveis, prejudicam o desenvolvimento do feto.

Negligência governamental: esta categoria de negligência diz respeito não ao cuidador, mas ao Estado, ao fato de não serem providenciados recursos necessários à proteção da criança. Aqui, incluem-se os serviços de saúde, educativos, serviços especializados para crianças portadoras de deficiência ou a inadequação de legislação na proteção de menores.

Algumas sugestões bibliográficas sobre Negligência:

Livros:

Child neglect: identification and assessment. Jan Horwhat, 2007

Maus-tratos à criança. Azevedo & Maia, 2006

Maus Tratos em crianças e Jovens, Teresa Magalhães, 2005

Os direitos da criança, da participação à responsabilidade. O sistema de protecção e educação das crianças e jovens. Paulo Delgado, 2006

Publicações oficiais (com link para download):

Acts of Omission – An overview og Child Neglect. Child Welfare Information Gateway, 2001

Child neglect: a guide for prevention, assessment and intervention. DePanfilis, 2006

What is Child abuse and neglect?, Child Welfare Information Gateway, 2008


 

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